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Foco externo melhora desempenho na execução de exercícios

Você sabia que é melhor para a performance e aprendizado quando você não fica pensando em movimentos do seu corpo?

O foco de atencão pode ser definido como: A atenção que o praticante direciona conscientemente para algum aspecto relacionado ao seu movimento (1). Por exemplo, um atleta de corrida, coloca seu foco de atenção na flexão de cotovelo, com a intenção de melhorar a mecânica deste movimento. Essa atenção ela pode ser direcionada para um componente interno ou externo, ou seja, para o próprio corpo (movimento), ou para um componente externo ao corpo (efeito do movimento) (2). Sendo assim, quando se está realizando o movimento de agachamento, e o praticante se concentra em não flexionar muito seus joelhos, este é um exemplo de foco interno. Porém, se o aluno está executando um agachamento, e este se foca na barra, tentando evitar que ela “gire”, este é um exemplo de foco de atenção externa.

Ambos os focos são utilizados no dia a dia, onde os professores, treinadores e pessoas envolvidas com o movimento, fornecem um feedback (informação relacionada ao movimento) para seus alunos, fazendo com que eles redirecionem o seu foco para o componente relacionado a orientação dada. Porém, há diferenças quanto aos resultados levando em consideração os dois tipos de atencão? A resposta é sim.

Porque é melhor?

O foco externo é melhor para a aprendizagem e performance(3), podendo ser explicado pela hipótese da ação restrita, defendendo que ao se concentrar no movimento (em alguma parte do corpo) de forma consciente, esse processo atrapalha os componentes inconscientes e automáticos de controle do movimento, fazendo assim que piore o desempenho e a aprendizagem (1,2,4–6). Mesmo relacionado a correções técnicas específicas, deve ser utilizado o foco externo, podendo utilizar, inclusive metáforas (exemplo no exercício agachamento: Ao invés de falar: Extenda o joelho o mais rápido possivel, pode-se usar: empurre o chão o mais rápido possível) para não levar o praticante a pensar na articulação em sí, dessa maneira sendo mais eficiente que o foco interno (7,8,9).

A ciência mostra evidências!

Em um estudo realizado em 2015, Nadzlan e colaboradores, avaliaram o número máximo de repetições a 80% da carga máxima nos exercícios de Supino e Levantamento terra, onde em um grupo eles direcionaram para o foco interno (Exerça força com  o seu braço/Extenda os joelhos e quadris) e o outro para o foco externo (Exerça força contra a barra/ puxe a barra pra cima). O grupo que usou atenção externa, foi significamente melhor (10).

A superioridade da atenção externa em relação a atenção interna, é comprovada não só em exercícios de força, mas também nos esportes, atividades de equilíbrio, coordenação e reabilitação, sendo superior independente do sexo e do nível que o praticante se encontra (3,7,17–22,8,9,11–16).

Sendo assim, é fundamental que os instrutores e praticantes, direcionem seu foco de atenção para componentes externos, potencializando assim a performance e a aprendizagem.

Não deixe ninguém te enganar!

Referências

1.          Schmidt RA, Lee TD, Winstein CJ, Wulf G, Zelasznik HN. Motor Control and Learning. 6th ed. Human Kinetics; 2019. 532 p.

2.          Wulf G, McNevin N, Shea CH. The automaticity of complex motor skill learning as a function of attentional focus. Q J Exp Psychol Sect A Hum Exp Psychol. 2001;54(4):1143–54.

3.          Chua LK, Wulf G, Lewthwaite R. Onward and upward: Optimizing motor performance. Hum Mov Sci. 2018;60(March):107–14.

4.          Kal EC, Van Der Kamp J, Houdijk H. External attentional focus enhances movement automatization: A comprehensive test of the constrained action hypothesis. Hum Mov Sci [Internet]. 2013;32(4):527–39. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.humov.2013.04.001

5.          Vidal A, Wu W, Nakajima M, Becker J. Investigating the Constrained Action Hypothesis: A Movement Coordination and Coordination Variability Approach. J Mot Behav. 2018;50(5):528–37.

6.          Wulf G, Chiviacowsky S, Schiller E, Ávila LTG. Frequent external-focus feedback enhances motor learning. Front Psychol. 2010;1(NOV):1–7.

7.          Wulf G. Attentional focus and motor learning: A review of 15 years. Int Rev Sport Exerc Psychol. 2013;6(1):77–104.

8.          Wulf G, McConnel N, Gärtner M, Schwarz A. Enhancing the learning of sport skills through external-focus feedback. J Mot Behav. 2002;34(2):171–82.

9.          Welling W, Benjaminse A, Gokeler A, Otten B. Retention of Movement TechniqueÇ Implications for Primary Preventio of ACL Injuries. Int J Sports Phys Ther. 2017;12(November):908–20.

10.        Nadzalan AM, Lee JLF, Mohamad NI. The effects of Focus attention Instructions on Strength Training Performance. Int J Humanuties Manag Sci. 2015;3(December 2015):12.

11.        Benjaminse A, Welling W, Otten B, Gokeler A. Transfer of improved movement technique after receiving verbal external focus and video instruction. Knee Surgery, Sport Traumatol Arthrosc. 2018;26(3):955–62.

12.        Guss-west C, Wulf G. Attentional focus in classical ballet. J Danc Med Sci. 2016;20(1):23–30.

13.        Keller M, Kuh Y-A, Luthy F, Taube W. How to Serve Faster in tennis: The Influence of an Altered Focus of Attention and Augmented Feedback on Service Speed in Elite Players. J Strenght Cond Res. 2018;00(00):1–8.

14.        Pascua LAM, Wulf G, Lewthwaite R. Additive benefits of external focus and enhanced performance expectancy for motor learning. J Sports Sci. 2015;33(1):58–66.

15.        Keller M, Lauber B, Gottschalk M, Taube W. Enhanced jump performance when providing augmented feedback compared to an external or internal focus of attention. J Sports Sci. 2015;33(10):1067–75.

16.        Perreault ME, French KE. External-focus feedback benefits free-throw learning in children. Res Q Exerc Sport. 2015;86(4):422–7.

17.        Wulf G, Lewthwaite R, Cardozo P, Chiviacowsky S. Triple play: Additive contributions of enhanced expectancies, autonomy support, and external attentional focus to motor learning. Q J Exp Psychol. 2017;(January):1–9.

18.        Ribeiro DC, Sole G, Abbott JH, Milosavljevic S. Extrinsic feedback and management of low back pain: A critical review of the literature. Man Ther [Internet]. 2011;16(3):231–9. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.math.2010.12.001

19.        Otten B, Onate JA, Gokeler A, Myer GD, Dowling A V., Hewett TE, et al. Optimization of the Anterior Cruciate Ligament Injury Prevention Paradigm: Novel Feedback Techniques to Enhance Motor Learning and Reduce Injury Risk. J Orthop Sport Phys Ther. 2015;45(3):170–82.

20.        Chiviacowsky S, Wulf G, Wally R. An external focus of attention enhances balance learning in older adults. Gait Posture [Internet]. 2010;32(4):572–5. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.gaitpost.2010.08.004

21.        Abdollahipour R, Palomo Nieto M, Psotta R, Wulf G. External focus of attention and autonomy support have additive benefits for motor performance in children. Psychol Sport Exerc [Internet]. 2017;32:17–24. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.psychsport.2017.05.004

22.        TAUBE W, RUFFIEUX J, WÄLCHLI M, KELLER M, BOURQUIN Y. Maximizing PerformanceÇ Augmented feedback, Focos of attention, and/or Reward? Med Sci Sport Exerc. 2015;48(4):714–9.

Danilo Arruda

Danilo Arruda

Doutorando em Kinesiology pela Universidade de Minnesota (EUA) com ênfase em Aprendizagem e Controle Motor. Mestre em Kinesiology pela Universidade do Wyoming (EUA). Bacharelado em educação física formado pela PUC-PR. Especialista em Treinamento Desportivo pela UNIP/CEFIT. Técnico de voleibol desde 2010 habilitado pela Confederação Brasileira de Voleibol - Nível 3. Tem como principal área de interesse a Aprendizagem e Controle Motor, desvendando os meios e métodos mais eficientes para a performance e ensino do esporte.

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