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Treinamento de força para crianças e adolescentes. Pode?

O treinamento de força para crianças e adolescentes é um assunto muito polêmico. Muitas crianças, atualmente, tem um nível de atividade física bem reduzido. Por isso, profissionais de Educação Física e da Área da Saúde recomendam a prática de algum tipo de atividade física, sendo muitas vezes a musculação indicada quando relacionada à problemas posturais, falta de força e resistência muscular. Ou até para jovens atletas que devem realizar fortalecimento para evitar lesões.

Daí vem a indagação feita muitas vezes pelos pais: “mas se meu filho começar a fazer musculação, ele não vai parar de crescer?”

Antigamente acreditava-se que não seria interessante jovens realizarem treinamento de força, devido em seu estágio pré-púbere haver poucos hormônios andrógenos circulantes e que o treinamento com características de força poderia causar lesões nas epífises (1), que seriam responsáveis pelo retardo no desenvolvimento ósseo, interferindo no crescimento.
Em 1990, um Posicionamento pela Federação Internacional de Medicina do Esporte, baseado no estudo citado acima, discutia sobre o treinamento físico excessivo em crianças e adolescentes. A recomendação deste posicionamento é que jovens não deveriam participar de atividades como Levantamento de Peso Básico ou Olímpico (Powerlifting/Weightlifting) (2), pela justificativa de lesões e de não produzir benefícios significativos para essa faixa etária. A abordagem conservadora em relação ao treinamento de força para crianças e adolescentes, tem origem no senso comum, uma vez que geralmente nenhuma evidência científica é dada para apoiá-la, sendo a maioria das preocupações relacionadas à possibilidade de lesões ou a um menor potencial de crescimento (11).

Taxa de lesões no treinamento com peso

Já foi demonstrado que a taxa de lesões do treinamento com pesos é baixa, sendo menor do que em outros esportes, portanto o levantamento de peso é uma atividade segura (3,4). Individualmente modalidades esportivas de força e treinamento com pesos, possuem até mesmo uma pontuação menor de lesões quando comparadas com futebol (sendo um dos esportes com maior número de lesões!), rugby ou até mesmo atletismo (5).
Lesões na cartilagem de crescimento não foram relatadas em nenhum estudo de pesquisa de treinamento resistido de jovens e não há evidências que sugiram que tenha impacto negativo no crescimento e na maturação durante a infância e adolescência (6).
Os relatórios de casos de fraturas nas placas epifisárias relacionadas ao treinamento de força são muito raras e são primeiramente atribuídas ao mau uso do equipamento, peso inapropriado, técnica incorreta e falta de supervisão adulta qualificada (6–8). Os temores de que o treinamento resistido prejudicaria as placas de crescimento dos jovens não são apoiados por relatórios científicos ou observações clínicas, que indicam que o estresse mecânico colocado nas placas de crescimento em exercícios resistidos podem ser benéficos para a formação e crescimento ósseo (9).
É importante notar que muitos dos esforços que os jovens são expostos no esporte e em atividades recreativas (Jogar futebol, correr, etc) são provavelmente maiores em duração e magnitude do que mesmo em testes máximos de força apropriadamente executados (10). Além de que, adolescentes podem ser observados levantando pesos durante suas atividades diárias, como carregar a bolsa da escola, uma maleta, uma sacola de mercado ou do shopping, uma caixa mais pesada, levantando-as do chão por exemplo, e poderão estar levantando estes itens de forma inadequada (11).
De forma geral, os riscos de lesão associados com treinamento resistido ou de força são similares entre jovens e adultos, e não há nenhuma razão justificável que exclua crianças e adolescentes de participar de tais programas (6).

Recomendações

Portanto as recomendações por diversos especialistas no assunto é de que se tenha a supervisão de profissionais qualificados, técnica apropriada de execução dos movimentos, uma progressão de cargas de treinamento de forma adequada, e respeito à maturação destes indivíduos, sendo que são diversos os benefícios do treinamento de força para crianças, como melhora das habilidades motoras básicas, aumento da força, coordenação e flexibilidade e também em relação a composição corporal, com melhora da relação entre massa livre de gordura e massa gorda e também com um aumento da saúde óssea (6,8–10,12–15).
Ou seja, Treinamento de Força é Sensacional para Crianças e Adolescentes!
Nós Somos Sci Training! Não deixe ninguém te enganar!

Fontes

1. Shaffer TE, Coryllos E, Dyment PG. Weight training and weight lifting: Information for the pediatrician. Phys Sportsmed. 1983;11(3):157–61.
2. International Federation of Sports Medicine. Excessive physical training in children and adolescents. A position statement from the International Federation of Sports Medicine (FIMS). November, 1990.
3. Byrd R, Pierce K, Rielly L, Brady J. Young weightlifters’ performance across time. Sports Biomech. 2003;2(1):133–40.
4. Pierce KC, Byrd RJ, Stone MH. Youth Weightlifting. Olympic Coach. 2006;18(3):10–2.
5. Hamill B. Relative Safety of Weightlifting and Weight Training. J Strength Cond Res. 1994;53–7.
6. Faigenbaum AD, Kraemer WJ, Blimkie CJR, Jeffreys I, Micheli LJ, Nitka M, et al. Youth Resistance Training: Updated Position Statement Paper From the National Strength and Conditioning Association. J Strength Cond Res. 2009;23:S60–79.
7. Dahab KS, McCambridge TM. Strength training in children and adolescents: Raising the bar for young athletes? Sports Health. 2009;1(3):223–6.
8. Malina RM. Weight Training in Youth – Growth , Maturation , and Safety : An Evidence-Based Review. 2006;16(6):478–87.
9. Lloyd RS, Faigenbaum AD, Stone MH, Oliver JL, Jeffreys I, Moody JA, et al. Position statement on youth resistance training: The 2014 International Consensus. Br J Sports Med. 2014;48(7):498–505.
10. Faigenbaum A, Myer G. Resistance training among young athletes: safety, efficacy and injury prevention effects. Br J Sport Med J Sport Med. 2010;44(1):56–63.
11. Barbieri D, Zaccagni L. Strength Training for Children and Adolescents : Benefits and Risks. 2013;37:219–25.
12. Lloyd RS, Faigenbaum ; Avery D., Myer ; Gregory D., H ; Michael, Stone, Oliver ; Jon L., et al. UKSCA Position Statement: Youth Resistance Training. Uksca. 2012;(26):26–39.
13. Faigenbaum AD, Polakowski C. Olympic-Style Weightlifting, Kid Style. Strength Cond J. 1999;21(3):73–6.
14. Malina RM, Rogol AD, Cumming SP, Coelho MJ, Figueiredo AJ. Biological maturation of youth athletes : assessment and implications. 2015;852–9.
15. Lloyd RS, Oliver JL. The Youth Physical Development Model: A New Approach to Long-Term Athletic Development. Strength Cond J. 2012;34(3):61–72.
Gustavo Api

Gustavo Api

Licenciado e Bacharel em Educação Física pela Universidade Positivo. Especialista em Treinamento Desportivo pela Universidade Paulista. Especialista em Esporte de Alto Rendimento pelo Instituto Olímpico Brasileiro - Comitê Olímpico do Brasil. Atuando desde 2010 na área de Esporte e Fitness, atualmente como Preparador Físico no Santa Mônica Clube de Campo, atuou como treinador de Levantamento de Peso, aonde também participou como atleta amador de diversas competições a nível estadual. Seus temas preferidos são Treinamento de Força, Periodização e Monitoramento de Cargas no Esporte. Buscando sempre mais conhecimento, aprender nunca é demais.

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