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Você sabe o que é a teoria dos sistemas dinâmicos?

Este é um assunto comum no meio desportivo, principalmente nos últimos anos. Mesmo assim, é uma teoria relativamente nova, porém que vem ganhando seguidores, assim como mais estudos vêm sendo publicados investigando essa temática. Nessa matéria iremos explicar os conceitos básicos da teoria e como ela se aplica no âmbito dos esportes/movimento. Então bora!!!

A teoria dos sistemas dinâmicos (TSD) afirma que é impossível entender um sistema complexo, como o corpo humano de apenas uma perspectiva. Ou seja, o movimento se dá por uma interação complexa entre várias partes desse sistema, como o corpo, o ambiente, e a tarefa. Para exemplificar, de acordo com a teoria dos sistemas dinâmicos, faz pouco sentido analisar ou treinar um movimento levando em consideração apenas os músculos ou ângulos utilizados, uma vez que o movimento ocorre como fruto dessa complexa interação, levando em consideração a percepção visual, auditiva, presença de adversários, stress emocional entre outros (1).

Um dos desafios que a teoria dos sistemas dinâmicos contempla é o entendimento da coordenação, onde são utilizados modelos matemáticos não lineares para o entendimento desses padrões, não iremos nos aprofundar nessa matemática toda. Caso tenha interesse veja mais informações no livro de Kelso (1995)(2).

A interação de múltiplos componentes em um sistema dinâmico leva a uma “adaptação” chamada de auto-organização, onde diversos componentes se organizam em torno de um ponto específico chamado “atrator,” ou seja, os padrões de movimento ocorrem, como trajetórias, coordenações entre outros (3).

Outro conceito importante é o de restritores, que são componentes no sistema que limitam as opções de movimento. Esses componentes podem ser manipulados fazendo com que o indivíduo responda de certa maneira a esse novo estímulo. Por exemplo correr puxando um trenó um exercício onde o restritor é o trenó, que fará o sujeito correr mais lento e aplicar um certo tipo de força (4).

Ok, eu sei que até agora estamos muito teóricos, vamos pensar na aplicação desses conceitos na prática.

  1. O treinamento deve ser aplicado levando em consideração diversas características, principalmente as percepções visuais, pois o indivíduo vai responder de acordo com os estímulos que recebe do ambiente, ou seja, ao adaptar exercícios é importante manter os mesmos componentes de percepção visual encontrados no jogo/situação real. Por exemplo, se um jogador de futebol deve perceber a motivação dos seus jogadores para executar uma técnica, é fundamental manter esse componente de percepçãoç
  2. O indivíduo vai responder a tarefa de acordo com muitas características, e uma delas são as características individuais, por exemplo nível de força, flexibilidade entre outros. A alteração desses componentes isolados pode ”alterar o indivíduo” e alterar como ele responde à tarefas motoras, o resultado pode ser positivo ou negativo, é a mesma coisa que torcer o pé e sair pra caminhar, o padrão motor vai ser diferente devido a situação específica naquela articulação, o mesmo acontece com o sistema muscular, respiratório etc.
  3. A manipulação dos restritores é um meio muito eficaz para a melhora da técnica e treinamento em geral. Por exemplo, manipulação do número de jogores e tamanho do campo/quadra são exemplos dessa metodologia;
  4. Uma vez que as interações são complexas, é importante fornecer para o atleta meios de treinamento que correspondam a essa complexibidade, nem sempre simplificar é o melhor método, porém adaptar é a grande chave, alterando os componentes do treino de maneira que o atleta seja sobrecarregado para o componente foco da sessão de treinamento, ao mesmo tempo sem desconsiderar todos os outros componentes que irão determinar a execução das ações em situação de jogo.

Nessa matéria demos uma breve introdução sobre alguns conceitos da teoria dos sistemas dinâmicos, há ainda muitos outros conceitos para um total entedimento dessa teoria, porém em outra oportunidade trataremos um pouco mais fundo alguns desses outros conceitos.

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Referências

1.          Davids K, Button C, Bennet S. Dynamics of Skill Acquisition: A constraints-Led Approach. 1st ed. United States: Human Kinetics; 2008. 264 p.

2.          Kelso JAS. Dynamic Patterns : The Self-organization of Brain and Behavior. 1st ed. London: MIT Press; 1995. 334 p.

3.          Dotov D, Froese T. Entraining chaotic dynamics: A novel movement sonification paradigm could promote generalization. Hum Mov Sci. 2018;61(June):27–41.

4.          Newell KM. Change in Motor Learning: A Coordination and Control Perspective. Motriz. 2003;9(1):1–6.

Danilo Arruda

Danilo Arruda

Doutorando em Kinesiology pela Universidade de Minnesota (EUA) com ênfase em Aprendizagem e Controle Motor. Mestre em Kinesiology pela Universidade do Wyoming (EUA). Bacharelado em educação física formado pela PUC-PR. Especialista em Treinamento Desportivo pela UNIP/CEFIT. Técnico de voleibol desde 2010 habilitado pela Confederação Brasileira de Voleibol - Nível 3. Tem como principal área de interesse a Aprendizagem e Controle Motor, desvendando os meios e métodos mais eficientes para a performance e ensino do esporte.

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