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Recuperação Ativa Funciona?

Quem nunca ouviu aquela máxima: “descanso também é treino”? Essa afirmação não está incorreta e, tendo isso em vista, muitos preferem ficar parados em casa a fazer algum esforço físico após os treinos, assim “recuperando mais rápido” a musculatura. Tal pensamento até tem lógica, mas existe um método de recuperação que promete melhores resultados com exercícios de baixa intensidade ao invés de repouso. Esse método é chamado Recuperação Ativa.

Será que ficar parado é o ideal para se recuperar de um treino?

O que é Recuperação Ativa?

A Recuperação Ativa (RA) é uma técnica frequentemente usada que inclui uma variedade de atividades submáximas, como um trote, corrida, ciclismo, natação ou alongamento ativo, com a intenção de facilitar ou melhorar a recuperação fisiológica pós-exercício (1-2). Em teoria, a RA pode facilitar o retorno à homeostase fisiológica. As atividades submáximas aumentam o fluxo sanguíneo intramuscular, melhorando a remoção de lactato no sangue e os níveis de energia dos músculos (2-4) em qualquer praticante de exercício físico regular (5).

Sobre alongamento pós-exercício

Vamos ao estudo mais recente sobre o tema (agosto de 2019)

Ainda não está muito claro se esses benefícios realmente existem, mas cientistas americanos fizeram uma revisão sistemática sobre a eficácia das intervenções de recuperação ativa em atletas (6).

Os autores não encontraram fortes evidências da eficácia da Recuperação Ativa em intervenções que não fossem entre 6 e 10 minutos. Intervenções realizadas nesta janela de tempo revelaram efeitos positivos no desempenho e aumentos na remoção de lactato sanguíneo de atletas. Ficou demonstrado que intervenções menores que 6 minutos e acima de 10 minutos parecem negar os efeitos benéficos da RA. Porém faltam pesquisas usando uma janela de recuperação de 3 a 5 minutos.

O nível de intensidade adequada para sessões de Recuperação Ativa não foi conclusivo na literatura analisada pelos autores desta revisão. As intervenções parecem não surtir efeito no desempenho atlético ao usar VO2 e FC como marcadores de intensidade.

Foi demonstrado que a taxa de remoção do lactato sanguíneo não é um marcador confiável de recuperação. Não foi encontrada correlação significativa entre remoção de lactato e melhora de desempenho esportivo. Serão necessários novos estudos para identificar marcadores mais confiáveis ​​e precisos para mensurar variáveis ​​de desempenho, fadiga e recuperação fisiológica em ensaios clínicos randomizados.

O estudo ainda sugere que há resultados psicológicos positivos provenientes das sessões de Recuperação Ativa, aumentando a percepção de recuperação, o que pode influenciar positivamente a performance atlética.

Enfim, os autores concluem que pesquisas futuras devem examinar os possíveis efeitos psicológicos que as intervenções de Recuperação Ativa promovem na recuperação de um atleta para ajudar a distinguir se estes efeitos são de natureza fisiológica ou psicológica.

Considerações

A ciência é assim mesmo. Não sabemos tudo e às vezes procuramos as respostas no lugar errado. E isso é o que há de belo no método científico. As lições de humildade que aprendemos sempre. Apesar de ainda não podermos tirar conclusões precisas sobre o método, a Recuperação Ativa parece trazer alguns benefícios, mesmo que psicológicos. Se vale a pena ou não investir 6 a 10 minutos após um treino, fica sempre a critério do treinador/professor que vai avaliar o objetivo, a necessidade e o tempo disponível de cada atleta/aluno/cliente.

Não deixe ninguém te enganar!

Referências

1. Barnett, A. Using recovery modalities between training sessions in elite athletes: Does it help? Sports Med 36: 781–796, 2006.

2. Rey, E, Lago-Peñas, C, and Lago-Ballesteros, J. Tensiomyography of selected lower-limb muscles in professional soccer players. J Electromyogr Kinesiol 22: 866–872, 2012.

3. Lane, K and Wenger, H. Effect of selected recovery conditions on performance of repeated bouts of intermittent cycling separated by 24 hours. J Strength Cond Res 18: 855–860, 2004.

4. Toubekis, A, Tsolaki, A, Smilios, I, Douda, HT, Kourtesis, T, and Tokmakidis, SP. Swimming performance after passive and active recovery of various durations. Int J Sports Physiol Perform 3: 375–386, 2008.

5. Tessitore, A, Meeusen, R, Cortis, C, and Capranica, L. Effects of different recovery interventions on anaerobic performances following preseason soccer training. J Strength Cond Res 21: 745–750, 2007

6. Ortiz, R. O., Sinclair Elder, A. J., Elder, C. L., & Dawes, J. J. (2018). A Systematic Review on the Effectiveness of Active Recovery Interventions on Athletic Performance of Professional-, Collegiate-, and Competitive-Level Adult Athletes. Journal of Strength and Conditioning Research, 1. doi:10.1519/jsc.0000000000002589.

Gabriel Nappi

Gabriel Nappi

Licenciado e Bacharel em Educação Física pela PUCPR, foi bolsista do PROUNI durante a Licenciatura com muito orgulho. Ganhador do Prêmio Marcelino Champagnat, por ter o melhor rendimento acadêmico da turma de Educação Física de 2010. Especialista em Personal Training e Pilates. Professor de Musculação no Santa Mônica Clube de Campo. Apaixonado por ciência, música, natureza e um sorriso aí. Facebook: www.facebook.com/gabnappi Inastagram: @gabnappi

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