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10 coisas que um técnico esportivo NÃO DEVE fazer – Parte 5

Chegamos a nossa última matéria da série 10 coisas que o técnico esportivo NÃO deve fazer. Se não conferiu as outras matérias, dá uma passadinha por lá ( (Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4). Nessa matéria iremos falar da importância da preparação física para atletas.

9 – Não planejar a preparação física

Provavelmente a maioria dos técnicos sabe da importância da preparação física para esportes (dê uma olhada nas nossas matérias sobre prevenção de lesões e performance, onde a preparação física pode ajudar em ambos). Porém, a criação de um programa de preparação física é muito mais complexo. Muitos clubes possuem um preparador físico, onde os atletas têm os treinos da modalidade e sessões específicas para a preparação física. Aqui nós abordaremos principalmente a preparação física aliada aos treinos da modalidade específica, que nós julgamos importante independentemente se os atletas já façam uma sessão específica de preparação física.

Um fator a ser considerado é a idade dos atletas e tempo de treino que eles têm. Acredita-se que para atletas mais novos (adolescência) a preparação física deve ser dada de maneira geral, desenvolvendo components básicos como força geral e flixibilidade (1). Sendo assim, os técnicos devem ter o entendimento e respeitar as fases do desenvolvimento de seus atletas. Segundo Gamble (2008) a preparação física para jovens atletas pode ser dividida em três períodos (2).

  • Antes da puberdade os treinos para força devem ser de intensidade leve a moderada (8 a 15 repetições), sendo três séries, duas ou três vezes na semana. Inclusive o treinamento para crianças é fundamental, confere a nossa matéria sobre isso (clique aqui). Quanto ao treinamento aeróbio é indicado a utilização de jogos, e atividades que envolvam também técnica e sejam aplicadas de uma maneira divertida e estimulando a socialização. E por último os componenets coordenativos, pois nessa fase a criança está mais sensível a vários componentes coordenativos. A intensidade desses exercícios deve ser regulada pela criança, mas de maneira geral, atletas nessa idade possuem uma capacidade aeróbia ainda diminuída. Ou seja, o melhor indicador é a percepção de esforço individual, onde a criança controla a sua própria intensidade conforme o cansaço.
  • Na puberdade, as cargas naturalmente podem aumentar, o treino de força tem como intensidade de 6 a 12 repetições, três séries de duas a quatro vezes na semana (em dias alternados). O treinamento aeróbio pode ser de maneira intervalada com intensidade moderada à alta, ainda utilizando jogos mas com maior demanda energética.
  • E o último período é a fase após a puberdade, de maneira geral os exercício específicos podem começar a ser incluídos com mais frequência, a intensidade pode seguir aumentando. O exercício de força pode ser de 4 a 12 repetições, sendo de três a cinco séries na semana.

O treinamento físico deve ser planejado, pois cada modalidade irá desenvolver algumas capacidades mais do que outras (3), porém, para a formação a longo prazo de atletas, é fundamental uma preparação básica que desenvolva o atleta como um todo (4). Então durante os treinamentos da modalidade, o técnico deve ter a sensibilidade de adaptar alguns exercícios para que componentes como força, velocidade, agilidade, potência, capacidade anaeróbia, coordenação, entre outros sejam desenvolvidos. Além disso, é fundamental a frequência, ou seja, é sensato dedicar certo tempo em todas as sessões de treinamento para a preparação física.

Com atletas mais velhos, que já têm uma sessão específica para a preparação física, ainda há componentes físicos que devem ser treinados no ambiete esportivo. Muitos dos exercícios mais específicos não podem ser desenvolvidos na preparação física, por exemplo a capacidade anaeróbia para o jogador de voleibol. O preparador físico pode propor exercícios que estimulem o desenvolvimento deste componente. Porém, é na quadra que o jogador tem que desenvolver a habilidade de suportar saltos e deslocamentos específicos, o que se torna inviável treinar em uma sala regular de musculação. Além de que, treinando no local da prática da modalidade, além de componentes físicos os fatores como percepção e tomada de decisão também podem ser desenvolvidos (5). Otimizando o desenvolvimento do atleta. É importante destacar que o treino técnico e tático, devem estar em sintonia com o treino físico, é importante a comunicação entre os preradores físicos e técnicos, para que juntamente encontrem a carga ideal de treinamentos em ambos os ambientes, evitando assim as lesões e o overtraining (6)

10 – Não seguir SciTrainig

Essa é o nosso último não. Sem conhecimento a gente não vai a lugar nenhum, e como vocês sabem, SciTraining é conhecimento, e não seguir SciTraining é não obter conhecimento, e nós sabemos que isso é terrível. Ainda mais com todas as mudanças que vem ocorrendo no esporte, ou seja, ficar antenado as mudanças e ao que há de mais novo em questão de treinamento pode ser o diferencial entre ganhar um campeonato e ficar em último lugar.

E assim nós fechamos essa série de cinco postagens promovendo discussões relacionadas a prática do técnico desportivo. Continue conosco, siga nossa página e compartilhe, e por fim, não deixe ninguém te enganar!

Referências

1.          Bompa TO. Treinamento Total para Jovens Campeões. 1a. São Paulo: Manole; 2002. 250 p.

2.          Gamble P. Approaching Physical Preparation for Youth Team-Sports Players. Strength Cond J. 2008;30(1):29–42.

3.          Zhao K, Hohmann A, Chang Y, Zhang B, Pion J, Gao B. Physiological, anthropometric, and motor characteristics of elite Chinese youth athletes from six different sports. Front Physiol. 2019;10(APR):1–12.

4.          Gomes AC. Treinamento Desportivo: Estruturação e Periodização. Artmed; 2009.

5.          Fleay B, Joyce C, Banyard H, Woods CT. Manipulating field dimensions during small-sided games impacts the technical and physical profiles of Australian footballers. J Strength Cond Res. 2018;32(7):2039–44.

6.          Gabbett TJ. The training-injury prevention paradox: should athletes be training smarter and harder? Br J Sports Med. 2016;1–9.

Danilo Arruda

Danilo Arruda

Doutorando em Kinesiology pela Universidade de Minnesota (EUA) com ênfase em Aprendizagem e Controle Motor. Mestre em Kinesiology pela Universidade do Wyoming (EUA). Bacharelado em educação física formado pela PUC-PR. Especialista em Treinamento Desportivo pela UNIP/CEFIT. Técnico de voleibol desde 2010 habilitado pela Confederação Brasileira de Voleibol - Nível 3. Tem como principal área de interesse a Aprendizagem e Controle Motor, desvendando os meios e métodos mais eficientes para a performance e ensino do esporte.

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