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Treinamento Desportivo: Novos métodos

Todos que estão envolvidos com o esporte sabem que o treinamento, e a própria modalidade estão em constantes mudanças. Em diversas modalidades, anteriormente acreditava-se que o treino tinha que ser baseado em muito volume, e que em geral quantidade era o fator mais importante, porém hoje em dia sabe-se que a intensidade é um fator determinante, sendo mais importante que o volume em varios esportes e condicões (1). Além da questão fisiológica, o componente técnico e tático vêm sendo estudado mais a fundo e com isso novas metodologias e estratégias têm sido desenvolvidas. Nessa matéria abordaremos métodos recentes visando o a aplicação no treinamento esportivo.

Aprendizagem Differencial

Muito se fala em ter atletas criativos e dinâmicos, é isso que a aprendizagem differencial (Differential Learning) busca desenvolver. O que poucos sabem é que a criatividade é uma capacidade passível de treinamento, onde condições favoráveis irão desenvolver e estimular esse componente que é fundamental em esportes como o futebol entre outros (2).

A aprenizagem difrencial consiste em aumentar as flutuações do movimento (Veja a matéria sobre variabilidade), fazendo com que o sujeito explore os movimentos sem ter que seguir parâmetros ou correções. Em geral a ideia é aumentar a variabilidade do gesto, fazendo que o movimento seja mais dinâmico, desencadeando uma melhor adaptação as diversas diferentes situações encontradas no modalidade (3). Na aprendizagem diferencial os atletas são orientados diversas fazes a realizar o movimento de forma “errada ou differente”, como chutar uma bola com os dois braços levantados (4). Promovendo assim constantes adaptações e uma variabilidade funcional, onde durante o jogo o atleta terá melhores condições de responder as demandas solicitadas, pois nenhum movimento é sempre igual, a bola e implementos não vem sempre na mesma velocidade, ângulo entre outros. Há vários estudos comprovando a eficiência desse método (4–11).

TGFU – Teaching Games for Understanding

Teaching games for understanding(TGFU) significa ensinando jogos para o entendimento, e é exatamente isso que essa metodologia se propõe, ensinar jogos para o facilitar o compreendimento de componetes relacionados aos esportes, como técnica e tática, esse método não é necessariamente novo, sendo que foi desenvolvido em 1982 por Bunker e Torper (12).

Nessa metadologia o ensino é centrado no atleta, onde através dos diversos jogos, vários componentes fundamentais pra modalidade alvo podem ser desenvolvidos. O TGFU contempla  seis aspectos à serem desenvolvidos com os jogos: forma de jogo, apreciação do jogo,  consciência tática,  tomada de decisões apropriadas  (O que fazer e como fazer), execução motora e desempenho. A ideia desse método não é apenas deixar os atletas jogando, mas sim adaptar os jogos para alcançar os diversos objetivos, modificando as regras, técnicas, espaços de jogo, número de jogadores etc. Como por exemplo, os pesquisadores Yamamoto e Kudo (2017, limitaram o número de rebatidas em situações de treino de tênis para estimular um jogo mais ofensivo, e os autores tiveram resultados significativos (13). Em síntese, a ideia desse método é levar o atleta a aprender fazendo, resolvendo os problemas que o jogo oferece. Muitas vezes os técnicos acreditam que sempre facilitar, deixar as tarefas mais fáceis e menos complexas é o melhor caminho. Porém, se você muda os componentes básicos do jogo como tomada de decisão, isso pode afetar a a real apredizagem daquela modalidade (14,15).

Oclusão Visual

Todos sabem que a visão é determinante na maioria dos esportes, e em geral durante o treinamento uma das grandes preocupações é que os atletas tenha boas condições visuais. Porém há diversos estudos, onde os investigadores limitaram a visão dos atletas durante treinamentos, e os atletas se desenvolveram mais que atletas que treinaram em condições visuais normais (16–20). A ideia é simples, quando se limita a visão, o cérebro começa a otimizar outros sentidos, e o desenvolvimento desses outros sentidos irão gerar uma evolução. Uma aplicação prática, é pedir para os atletas ficarem com os olhos fechados e ao sinal do professor abrir os olhos e realizar a ação, tentando reduzir a utilização do estímulo visual para ampliar os outros sensores (21).

Mas qual método escolher?

Essa pergunta é difícil de ser respondida, mas aqui nós abordamos apenas três métodos, há ainda vários outros meios de buscar o ótimo desenvolvimento esportivo. É fundamental o técnico ter o entendimento de como cada método funciona, e de como a própria modalidade funciona. Conseguindo formar dessa maneira a base para escolher cada método, além do estilo individual do treinador. Em geral, os métodos mais recentes de treinamento buscam não só desenvolver o movimento, mas também a tomada de decisão, criatividade entre outros aspectos cognitivos. Sendo assim isso é fundamental durante o treinamento e deve ser praticado de alguma maneira.

E por fim, não deixe ninguém te enganar!

1.          Gomes AC. Treinamento Desportivo. 2nd ed. Porto Alegre: Artmed; 2009. 276 p.

2.          Santos S, Coutinho D, Gonçalves B, Schöllhorn W, Sampaio J, Leite N. Differential Learning as a Key Training Approach to Improve Creative and Tactical Behavior in Soccer. Res Q Exerc Sport [Internet]. 2018;89(1):11–24. Available from: https://doi.org/10.1080/02701367.2017.1412063

3.          I. Schollhorn W. The Nonlinear Nature of Learning – A Differential Learning Approach. Open Sports Sci J. 2012;5(1):100–12.

4.          Schöllhorn WI, Michelbrink M, Welminsiki D, Davids K. Increasing stochastic perturbations enhances acquisition and learning of complex sport movements. Perspect Cogn Action Sport [Internet]. 2009;(January 2009):59–73. Available from: http://eprints.qut.edu.au/28522/

5.          Poureghbali S, Arede J, Esteves PT. Differential vs conventional resistance training effects in youth basketball players. 2019;(September):4–5.

6.          Vaeyens R, Lenoir M, Williams AM, Philippaerts RM, Geertsen SS, Thomas R, et al. The effects of an enrichment training program for youth football attackers. PLoS One [Internet]. 2016;22(9):1056–66. Available from: http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fnbeh.2016.00199/full%0Ahttp://dx.doi.org/10.1016/j.jsams.2016.11.025

7.          Henz D, John A, Merz C, Schöllhorn WI. Post-task effects on EEG brain activity differ for various differential learning and contextual interference protocols. Front Hum Neurosci. 2018;12(February).

8.          Savelsbergh GJP, Kamper WJ, Rabius J, De Koning JJ, Schöllhorn W. A new method to learn to start in speed skating: A differencial learning approach. Int J Sport Psychol. 2010;41(4):415–27.

9.          Janssen D, Gebkenjans F, Beckmann H, Schöllhorn WI. Analyzing learning approaches by means of complex movement pattern analysis. Int J Sport Psychol. 2010;41(4 SUPPL.):18–21.

10.        Schöllhorn W, Beckmann H, Davids K. Exploiting system fluctuations. Differential training in physical prevention and rehabilitation programs for health and exercise. Medicina (B Aires). 2010;46(6):365.

11.        Henz D, Sch�llhorn WI. Differential training facilitates early consolidation in motor learning. Front Behav Neurosci. 2016;10(OCT):1–9.

12.        Werner P, Thorpe R, Bunker D. Teaching Games for Understanding: Evolution of a Model. J Phys Educ Recreat Danc. 1996;67(1):28–33.

13.        Yamamoto H, Kudo K. The Effect of Rule Modification on Strokes in Tennis Matches: Induction of Offensive Play by Using the One-Trap Rule. Japan J Coach Stud. 2017;30(22):81.

14.        Memmert D, Almond L, Bunker D, Butler J, Fasold F, Griffin L, et al. Top 10 Research Questions Related to Teaching Games for Understanding. Res Q Exerc Sport. 2015;86(4):347–59.

15.        Renshaw I, Araújo D, Button C, Chow JY, Davids K, Moy B. Why the Constraints-Led Approach is not Teaching Games for Understanding: a clarification. Phys Educ Sport Pedagog. 2016;21(5):459–80.

16.        Dunton A, Neill CO, Jermyn S, Dawson D, Coughlan EK. The Impact of Spatial Occlusion Goggles on the Basketball Crossover Dribble. 2019;(May).

17.        Vanbeselaere N, Rantz C, Ruhnow D, Kasbauer H, Struder H, Mierau A. The Effect of a 4-Week Stroboscopic Training on Visual Function and Sport-Specific Visuomotor Performance in Top Level Badminton Players. Int J Spots Pshysiology Perform. 2018;1(14):343–50.

18.        Dunton A, O’Neill C, Coughlan EK. The impact of a training intervention with spatial occlusion goggles on controlling and passing a football. Sci Med Footb [Internet]. 2019;00(00):1–6. Available from: https://doi.org/10.1080/24733938.2019.1616106

19.        Oudejans RRD. Effects of visual control training on the shooting performance of elite female basketball players. Int J Sport Sci Coach. 2012;7(3):469–80.

20.        Oudejans R, Koedjiker J, Bleijendaal I, Bakker F. THE EDUCATION OF ATTENTION IN AIMING AT A FAR TARGET: TRAINING VISUAL CONTROL IN BASKETBALL JUMP SHOOTING. USEO. 2005;(Decembe):197–221.

21.        Giblin G, Whiteside D, Reid M. Now you see, now you don’t … the influence of visual occlusion on racket and ball kinematics in the tennis serve. Sport Biomech [Internet]. 2017;16(1):23–33. Available from: http://dx.doi.org/10.1080/14763141.2016.1179337

Danilo Arruda

Danilo Arruda

Doutorando em Kinesiology pela Universidade de Minnesota (EUA) com ênfase em Aprendizagem e Controle Motor. Mestre em Kinesiology pela Universidade do Wyoming (EUA). Bacharelado em educação física formado pela PUC-PR. Especialista em Treinamento Desportivo pela UNIP/CEFIT. Técnico de voleibol desde 2010 habilitado pela Confederação Brasileira de Voleibol - Nível 3. Tem como principal área de interesse a Aprendizagem e Controle Motor, desvendando os meios e métodos mais eficientes para a performance e ensino do esporte.

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