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Liberação Miofascial e Alongamento

O uso de aparatos como rolos de liberação miofascial, massageadores, bolas e outros instrumentos que supostamente aumentam a amplitude de movimento, reduzem a dor miofascial, melhoram a recuperação do dano muscular causado pelo exercício, e melhoram o desempenho tem sido investigado na literatura sobre atividade física, fisioterapia e reabilitação (BEHM; WILKE, 2019). De forma geral vemos mais a utilização destes equipamentos na área do esporte competitivo, Crossfit e treinamento funcional, durante o aquecimento, com a idéia de ser uma melhor ferramenta para o aumento da flexibilidade e mobilidade.

Porém será a liberação miofascial superior as técnicas mais convencionais?

Rolo de liberação miofascial

Liberação Miofascial X Alongamento Estático

Estudos comparando a melhora da flexibilidade de forma aguda (curto prazo) com a utilização de aparatos de liberação miofascial ou realização de alongamentos estáticos apresentaram resultados onde ambas as formas aumentaram a flexibilidade, porém não houve diferença significativa entre eles. Contudo, parece que a utilização dos métodos em conjunto, é superior que apenas a utilização da liberação miofascial ou do alongamento de forma isolada (ŠKARABOT e colab., 2015).

O estudo de SMITH e colaboradores (2019), mostrou que em 6 semanas de intervenção ambos os protocolos de liberação e alongamento estático melhoraram a amplitude de movimento do tornozelo, porém mostrou em seu estudo que quando combinado os protocolos não houve um efeito sinérgico da melhora da dorsiflexão. Apesar disso, foi mostrado em outro estudo que a combinação dos dois métodos pode ser eficaz em potencializar o resultado para o aumento da amplitude de movimento em relação à flexão de quadril (MOHR e colab., 2014).  

Liberação Miofascial X Alongamento Dinâmico

Quando comparado com o alongamento realizado de forma dinâmica, BEHARA e JACOBSON (2017) apresentaram resultados de aumentos de 15.6% com a utilização de liberação miofascial e de 19.9% para o alongamento dinâmico, em relação a melhora da amplitude de movimento da flexão de quadril. Quando comparados as técnicas em relação a melhora da amplitude de movimento do tornozelo, SOMERS e colaboradores (2019), não encontraram diferenças significativas, porém igualmente ao apresentado em outros estudos, ocorreram melhoras na flexibilidade.

O papel do aquecimento

Já foi mostrado AQUI, que o alongamento pré-atividade pode piorar o desempenho. É recomendado que o alongamento dinâmico seja realizado, sendo um substituto adequado ao alongamento estático, visto por prover uma vantagem na melhora do desempenho em relação a altura do salto, velocidade de corrida (sprint) e agilidade (PERRIER e colab., 2011). Neste ponto, a liberação miofascial pode ser superior ao alongamento estático, por promover as mesmas vantagens, já que o alongamento estático pode interferir na força e potência (BEHARA; JACOBSON, 2017).

A razão desta melhora pode estar associado ao aumento da temperatura na região em que ocorre a intervenção, devido que o movimento constante antes de realizar alongamento estático, aumenta a temperatura intramuscular e o fluxo sanguíneo, os quais são importantes na melhora das propriedades visco-elásticas dos músculos (KNIGHT e colab., 2001).

Conclusão

Portanto, todas estas estratégias são benéficas ao aumento da amplitude de movimento articular e a flexibilidade, não possuindo diferenças significativas entre elas. Porém o uso da liberação miofascial e do alongamento dinâmico comparado ao alongamento estático em relação ao desempenho, é superior, por não causarem interferência em relação a força e potência.

Referências

BEHARA, Brandon; JACOBSON, Bert H. Acute Effects of Deep Tissue Foam Rolling and Dynamic Stretching on Muscular Strength, Power, and Flexibility in Division i Linemen. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 31, n. 4, p. 888–892, 2017.

BEHM, David G.; WILKE, Jan. Do Self-Myofascial Release Devices Release Myofascia? Rolling Mechanisms: A Narrative Review. Sports Medicine, 2019.

KNIGHT, Claudia A e colab. Effect of Superficial Heat, Deep Heat, and Active Exercise Warm-up on the Extensibility of the Plantar Flexors. Physical Therapy, v. 81, n. 6, p. 1206–1214, 2001.

MOHR, Andrew R.; LONG, Blaine C.; GOAD, Carla L. Effect of foam rolling and static stretching on passive hip-flexion range of motion. Journal of Sport Rehabilitation, v. 23, n. 4, p. 296–299, 2014.

PERRIER, Erica T.; PAVOL, Michael J.; HOFFMAN, Mark A. The Acute Effects Of A Warm-Up Including Static Or Dynamic Stretching On Countermovement Jump Height,Reaction Time, And Flexibility. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 25, n. 7, p. 1925–1931, 2011.

ŠKARABOT, Jakob; BEARDSLEY, Chris; ŠTIRN, Igor. Comparing the effects of self-myofascial range-of-motion in adolescent athletes. The International Journal of Sports Physical Therapy, v. 10, n. 2, p. 203–212, 2015.

SMITH, J. Chadwick e colab. Effects of Static Stretching and Foam Rolling on Ankle Dorsiflexion Range of Motion. Medicine & Science in Sports & Exercise, n. February, p. 1, 2019.

SOMERS, Kimberly e colab. Acute Effects of Gastrocnemius/Soleus Self-Myofascial Release Versus Dynamic Stretching on Closed-Chain Dorsiflexion. Journal of Sport Rehabilitation, p. 1–7, 2019.

Gustavo Api

Gustavo Api

Licenciado e Bacharel em Educação Física pela Universidade Positivo. Especialista em Treinamento Desportivo pela Universidade Paulista. Especialista em Esporte de Alto Rendimento pelo Instituto Olímpico Brasileiro - Comitê Olímpico do Brasil. Atuando desde 2010 na área de Esporte e Fitness, atualmente como Preparador Físico no Santa Mônica Clube de Campo, atuou como treinador de Levantamento de Peso, aonde também participou como atleta amador de diversas competições a nível estadual. Seus temas preferidos são Treinamento de Força, Periodização e Monitoramento de Cargas no Esporte. Buscando sempre mais conhecimento, aprender nunca é demais.

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