fbpx

A periodização para esportes coletivos

A periodização (veja a matéria introdutória e explicativa aqui) para esportes coletivos  tem algumas peculiaridades como: tamanho da temporada; múltiplos objetivos de treinamento; interações entre o treino de condicionamento físico; dificuldades de tempo pelo treino concorrente técnico e tático; estresse físico e emocional gerado pelos jogos e diferentes funções táticas e técnicas dentro do mesmo grupo, (1–5).

Buscar o equilíbrio entre o desenvolvimento e controle dos componentes do jogo exige muita sensibilidade do técnico, controlando os objetivos de cada sessão de treino, onde por exemplo caso seja feito o condicionamento físico logo antes do treino técnico, isso poderá comprometer a qualidade da parte técnica (6).

O elevado número de jogos na semana, gera um estresse, que pode ser negativo para os atletas, aumentando a chance de lesão, diminuindo o rendimento além de toda a pressão emocional gerada pelos jogos, onde nesse período a intensidade dos treinos deve ser menor para promover a recuperação e melhor desempenho nos jogos, porém não deve ser muito baixa, ou a equipe perderá desempenho (7–10).

Outra tarefa que demanda muita dificuldade, é o controle das cargas no treinamento e jogos, pois as modalidades coletivas não têm resultados quantitativos como tempo e peso levantado, a carga é muito subjetiva e varia de indivíduo para individuo (11–13).

A percepção subjetiva de esforço (PSE), que é uma escala que o atleta relata uma intensidade percebida de 0 a 10 (0 praticamente sem intensidade e 10 intensidade máxima), parece ser um bom indicador de intensidade do exercício nas modalidades coletivas(1,2,9,12,14,15) e tem boas correlações com marcadores fisiológicos como a frequência cardíaca entre outros (16,17) sendo um método simples que pode ser aplicado por todos os técnicos no âmbito prático (18).

Outro meio de controle é a contagem de fundamentos executados pelo jogador ao longo do treino e/ou partida (19), onde cada fundamento pode ser dividido por intensidade, como no voleibol, onde os movimentos que possuem saltos são os de maior intensidade (20). Porém para o controle destas características ao longo do jogo/treino seriam necessários tecnologias como aparelhos GPS, acelerômetros entre outros, dificultando sua aplicação (1).

Quase não existem estudos, que buscaram controlar e periodizar a performance técnica e tática de modalidades esportivas, onde aparentemente nos estudos sobre a periodização este conteúdo é praticamente esquecido (21–24). Porém a técnica e tática devem ser planejadas, pois são determinantes do sucesso nas modalidades coletivas (25–28). Onde no treinamento o técnico deverá estimular as situações encontradas no jogo, assim como potencializar aas repetições para que favoreça o desenvolvimento técnico e tático (29,30).

Na pré-temporada (fase sem competições) deve ser dado a ênfase no desenvolvimento das capacidades técnicas, táticas, físicos e psicológicas em sua máxima forma, potencializando as repetições, e no momento das competições devem ser mantida essa máxima performance, assim como buscar um desenvolvimento através do número de jogos ao longo da temporada, sendo o treinamento marcado principalmente pela especificidade (treino parecido com o jogo) (31–33).

Existem poucos modelos de periodização especificos para esportes coletivos (31,34,35). Sendo assim, cabe aos técnicos a capacidade de absorver o conteúdo que foi criado originalmente para esportes individuais e adaptar à realidade dos esportes coletivos para que se alcance o sucesso.

Sendo assim, não deixa ninguém te enganar e fique ligado nas nossas redes sociais e no site, para não perder as próximas matérias relacionadas a periodização entre outras!

 

Referências bibliográficas

  1. Bartlett JD, O’Connor F, Pitchford N, Torres-Ronda L, Robertson SJ. Relationships between internal and external training load in team-sport athletes: Evidence for an individualized approach. Int J Sports Physiol Perform. 2017;12(2):230–4.
  2. Borin JP, Gomes AC, Leite G dos S. PREPARAÇÃO DESPORTIVA: ASPECTOS DO CONTROLE DA CARGA DE TREINAMENTO NOS JOGOS COLETIVOS. Rev Educ Física UEM. 2007;18(1):97–105.
  3. Gamble P. Periodization of Training for Team Sports Athletes. Strenght Cond J. 2006;4295(September 2006):56–66.
  4. L. Q. T. Aquino R, Cruz Gonçalves LG, Palucci Vieira LH, Oliveira LP, Alves GF, Pereira Santiago PR, et al. Periodization Training Focused on Technical-Tactical Ability in Young Soccer Players Positively Affects Biochemical Markers and Game Performance. J Strength Cond Res [Internet]. 2016;30(10):2723–32. Available from: http://content.wkhealth.com/linkback/openurl?sid=WKPTLP:landingpage&an=00124278-201610000-00006
  5. Roberto P, Santiago P. Periodization training focused on technical- tactical ability in young soccer players positively affects biochemical markers and game performance. J Strenght Cond Res. 2016;00(00):1–10.
  6. McLaren SJ, Smith A, Spears IR, Weston M. A detailed quantification of differential ratings of perceived exertion during team-sport training. J Sci Med Sport [Internet]. 2016; Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.jsams.2016.06.011
  7. Gamble P. Implications and Applications of Training Specificity for. Strenght Cond J. 2006;28(3):54–8.
  8. Kiely J. Periodization Theory: Confronting an Inconvenient Truth. Sport Med [Internet]. 2017;(November):1–12. Available from: https://doi.org/10.1007/s40279-017-0823-y
  9. Moreira A, Freitas CG De, Aoki MS. Percepção de esforço da sessão e a tolerância ao estresse em jovens atletas de voleibol e basquetebol Session RPE and stress tolerance in young volleyball and basketball players. Rev Bras Cineantropometria Desempenho Hum. 2010;12(5):345–51.
  10. Verkhoshansky YV, Siff MC. Supertraining [Internet]. 6th ed. Verkhoshansky; 2009 [cited 2017 Jul 22]. 590 p. Available from: https://books.google.com.br/books/about/Supertraining.html?id=vBfnQwAACAAJ&redir_esc=y
  11. Mazon JH, Gastaldi AC, Martins-pinge MC, Araújo JE, Souza HCD. Study of Heart Rate Variability and Stress Markers in Basketball Players Submitted to Selective Loads … Study of Heart Rate Variability and Stress Markers in Basketball Players Submitted to Selective Loads Periodization System. Am J Sport Sci. 2015;3(3):46–51.
  12. Ritchie D, Hopkins WG, Buchheit M, Cordy J, Bartlett JD. Quantification of Training and Competition Load Across a Season in an Elite Australian Football Club. Int J Sports Physiol Perform. 2016;11(4):474–9.
  13. Vanrenterghem J, Nedergaard NJ, Robinson MA, Drust B. Training Load Monitoring in Team Sports: A Novel Framework Separating Physiological and Biomechanical Load-Adaptation Pathways. Sport Med [Internet]. 2017; Available from: http://link.springer.com/10.1007/s40279-017-0714-2
  14. Luis J, Beltrán C, Guillermo J, Sepúlveda E, Cristina E, Menegón P, et al. Percepção Subjetiva da Dor Muscular de uma equipe feminina SUB15 de Voleibol: Um estudo durante a 2a etapa do estadual do paraná de 2015. Rev Obs del Deport. 2016;2(1):143–59.
  15. Milanez V, Lima M, Perandini L, Gonçalves C, Franchini E. Avaliação e comparação das respostas da percepção subjetiva de esforço e concentração de lactato em uma competição oficial de karate. Rev da Educ Física/UEM [Internet]. 2011 May 1 [cited 2011 Sep 16];22(1):57–64. Available from: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/8058
  16. Crowcroft S, Duffield R, Mccleave E, Slattery K, Wallace LK, Coutts AJ. Monitoring training to assess changes in fitness and fatigue: The effects of training in heat and hypoxia. Scand J Med Sci Sport. 2015;25(S1):287–95.
  17. Háp P, Stejskal P, Jakubec A. VOLLEYBALL PLAYERS TRAINING INTENSITY MONITORING THROUGH THE USE OF SPECTRAL ANALYSIS OF HEART RATE VARIABILITY DURING A TRAINING MICROCYCLE Pavel Háp , Pavel Stejskal , Aleš Jakubec. Acta Univ Palacki. 2011;41(3):33–8.
  18. Schwellnus M, Soligard T, Alonso J-M, Bahr R, Clarsen B, Dijkstra HP, et al. How much is too much? (Part 2) International Olympic Committee consensus statement on load in sport and risk of illness. Br J Sports Med [Internet]. 2016;50(17):1043–52. Available from: http://bjsm.bmj.com/lookup/doi/10.1136/bjsports-2016-096572
  19. Burgess D. The Research Doesn’t Always Apply: Practical Solutions to Evidence-Based Training Load Monitoring in Elite Team Sports. Int J Sport Physiol Perform. 2016;32:1–44.
  20. Marques Junior NK. PERIODIZAÇÃO ESPECÍFICA PARA O VOLEIBOL: ATUALIZANDO O CONTEÚDO. Rev Bras Prescrição e Fisiol do Exerc [Internet]. 2014;8(47):453–94. Available from: http://rbpfex.com.br/wp-content/uploads/2008/11/pfex_82_n8v2_pp_246_254.pdf%5Cnhttp://diadorim.ibict.br/handle/1/506
  21. Afonso J, Sousa P, Mesquita I. Is Empirical Research on Periodization Trustworthy ? A Comprehensive Review of Conceptual and Methodological Issues. J Sport Sci Med. 2017;16(March):27–34.
  22. Lyakh V, Miko??ajec K, Bujas P, Witkowski Z, Zajac T, Litkowycz R, et al. Periodization in team sport games – A review of current knowledge and modern trends in competitive sports. J Hum Kinet. 2016;54(1):173–80.
  23. Issurin VB. New Horizons for the Methodology and Phsiology of Training Periodization – Block Periodization: New Horizon or a False Dawn? Sport Med [Internet]. 2010;40(3):189–206. Available from: http://content.wkhealth.com/linkback/openurl?sid=WKPTLP:landingpage&an=00124278-201610000-00006
  24. Moreira A. La Periodización del entrenamiento y las cuestiones emrgentes: el caso de los deportes de equipo. Rev Andaluza Med del Deport. 2010;3(4):170–8.
  25. Garcia-Alcaraz A, Palao JM, Ortega E. Perfil de Rendimiento Técnico-Táctico de la Recepción en Función de la Categoría de Competición en Voleibol Masculino. / Technical-tactical performance profile of reception according to competition category in men volleyball. Rev Kronos [Internet]. 2014;13(1):1–9. Available from: http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=s3h&AN=97447065&lang=pt-br&site=ehost-live
  26. Campos F a. D, Stanganélli LCR, Campos LCB, Pasquarelli BN, Gómez M-Á. Performance Indicators Analysis At Brazilian and Italian Women’S Volleyball Leagues According To Game Location, Game Outcome, and Set Number 1. Percept Mot Skills [Internet]. 2014;118(2):347–61. Available from: http://www.amsciepub.com/doi/abs/10.2466/30.25.PMS.118k19w4
  27. Ugrinowitsch H, Lage GM, Naves SPDS, Dutra LN, Carvalho MFSP, Ugrinowitsch AAC, et al. Transition I efficiency and victory in volleyball matches. Motriz. 2014;20(1):42–6.
  28. Pollard G, Pollard G. The efficiency of tennis doubles scoring systems. Inf Sci (Ny). 2010;(May):393–7.
  29. Magill RA. Aprendizagem e Controle Motor:Conceitos e aplicações. 8th ed. São Paulo: Artmed; 2011. 568 p.
  30. Schmidt RJ, Wrisberg CA. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema [Internet]. 4a. São Paulo: Artmed; 2010 [cited 2011 Nov 23]. 416 p. Available from: http://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&q=aprendizagem+e+performance+motora&btnG=Pesquisar&lr=&as_ylo=&as_vis=0#1
  31. Gomes AC. Treinamento Desportivo. 2nd ed. Porto Alegre: Artmed; 2009. 276 p.
  32. Mendez-Villanueva A, Delgado-Bordonau JL. Tactical Periodization : Mourinho ’ s best-kept secret ? Tactical Periodization : a new soccer training approach. Soccer NSCAA J. 2012;3(June):28–34.
  33. Neto AR. Uma proposta de Preparação para Equipes Jovens de Voleibol Feminino. 2003.
  34. Borges PH. Periodização tática: fundamentos e perspectivas. Entrevista com Dr. Vitor Manuel da Costa Frade. Conexões [Internet]. 2015;13(1):180. Available from: http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conexoes/article/view/2155
  35. Kautzner N, Junior M. Specific periodization for the volleyball : a training organization. 2018;2(Figure 2):108–11.

 

 

 

Danilo Arruda

Danilo Arruda

Profissional da Educação Física formado pela PUC-PR. Especialista em Treinamento Desportivo pela UNIP/CEFIT e Mestrando em Kinesiology and Exercise Science - Aprendizagem e Controle Motor pela Universidade do Wyoming (EUA), onde também atua como Assistente de Ensino para alunos da graduação. Técnico de voleibol desde 2010 habilitado pela Confederação Brasileira de Voleibol - Nível 3. Tem como principal área de interesse a Aprendizagem e Controle Motor, desvendando os meios e métodos mais eficientes para a performance e ensino do esporte/movimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate