Características Antropométricas e Desempenho

Avaliar as características antropométricas é de extrema importância na hora de prescrever treinos, seja com foco na atividade física ou no alto rendimento esportivo. Para isso existem diversos componentes que geralmente são avaliados a partir da composição corporal, do somatotipo, massa corporal, estatura, envergadura, comprimento de membros, diâmetros ósseos, perímetros, entre outros.

características antropométricas
Mulheres disputando prova no atletismo.

Corrida

No esporte sabemos que essa diferenças antropométricas de certa forma podem predizer o desempenho em competições, em modalidades que possuem uma maior dependência destes fatores. Por exemplo, em atletas de corrida de longa distância do leste africano, os quais tiveram maior desempenho e melhor economia de corrida, foi observado e reportado que estes possuem maior comprimento dos membros inferiores do que atletas de outras regiões (1–4). De forma estatística, isso apresenta uma correlação positiva entre o comprimento absoluta da perna e o desempenho e economia de corrida nestes atletas, corredores de longa distância (5,6).

A razão disso é devido ao comprimento da perna afetar justamente o comprimento da passada, ou seja, a distância alcançada entre um passo e outro, assim atletas com pernas mais compridas garantem maior eficiência com menor gasto de energia (7). Dessa forma, o comprimento da perna pode ser um importante fator morfológico e antropométrico para alcançar níveis mais altos de desempenho na corrida de longa distância (8).

Exercícios de Força

No caso de exercícios ou modalidades de força, como o Levantamento de Pesos (Powerlifting ou Weightlifting), as diferentes características antropométricas dos indivíduos podem também afetar o desempenho, tanto na competição, quanto em relação a prescrição do treinamento. No desempenho do exercício de Levantamento Terra, foi encontrado que indivíduos com maior tamanho/altura do tronco pela estatura total, possuíam maior nível de força máxima, medida por 1RM quando comparado o Levantamento Terra estilo sumô ao estilo convencional, onde este último seria mais indicado para indivíduos com tronco mais curto (9).

Foi observado também neste estudo, que as mulheres demonstraram maior resistência a fadiga em protocolo de teste de repetições até a falha com 60% de 1RM, podendo ser justificado por diversos fatores como, maior proporção de fibras do tipo 1, maior proporção de oxidação de gordura durante o exercício, e maior perfusão muscular resultando em uma mais alta remoção de metabólitos (10). Da forma similar, quando comparando os resultados do agachamento, indivíduos com menor comprimento de fêmur apresentaram resultados superiores ao número de repetições em 70% de 1RM, quando comparado a indivíduos com fêmur mais longo (11).

Esportes Coletivos

De certa forma as características antropométricas podem ser preditoras de maior sucesso dentro de uma modalidade esportiva. Alguns dados referentes a estatura, comprimento de membros, podem ser determinantes em modalidades nas quais isso tem um “peso” maior, como no voleibol e no basquetebol. Por exemplo, em atletas jovens de basquetebol, a altura e peso corporal tem grande correlação em com a frequência do número de rebotes, quando avaliados em situações de jogo de quadra reduzida (12). Em atletas de voleibol foi verificado que indivíduos mais altos tem uma distinta vantagem em ações defensivas na rede (Bloqueio), por serem capazes de cobrir mais espaço em relação a indivíduos menores, havendo também correlação entre o comprimento dos membros inferiores com a altura do salto vertical e a potência anaeróbia nestes atletas (13).

Com isso fica importante ressaltar a respeito do princípio da individualidade biológica, onde fatores como as características antropométricas podem ter um grande peso na hora da seleção dos indivíduos para a modalidade, assim como devem ocorrer adequações na hora em que se for realizar uma prescrição de treinamento mais adequada e específica às particularidades do indivíduo.

Referências

1.             Kunimasa Y, Sano K, Oda T, Nicol C, Komi P V., Locatelli E, et al. Specific muscle-tendon architecture in elite Kenyan distance runners. Scand J Med Sci Sport. 2014;24(4):269–74.

2.          Lucia A, Esteve-Lanao J, Oliván J, Gómez-Gallego F, San Juan AF, Santiago C, et al. Physiological characteristics of the best Eritrean runners – Exceptional running economy. Appl Physiol Nutr Metab. 2006;31(5):530–40.

3.          Sano K, Nicol C, Akiyama M, Kunimasa Y, Oda T, Ito A, et al. Can measures of muscle–tendon interaction improve our understanding of the superiority of Kenyan endurance runners? Eur J Appl Physiol. 2015;115(4):849–59.

4.          Vernillo G, Schena F, Berardelli C, Rosa G, Galvani C, Maggioni M, et al. Anthropometric characteristics of top-class Kenyan marathon runners. J Sport Med Phys Fitnesse Phys Fit. 2013;53(4):403–8.

5.          Mooses M, Mooses K, Haile DW, Durussel J, Kaasik P, Pitsiladis YP. Dissociation between running economy and running performance in elite Kenyan distance runners. J Sports Sci. 2015;33(2):136–44.

6.          Laumets R, Viigipuu K, Mooses K, Mäestu J, Purge P, Pehme A, et al. Lower Leg Length is Associated with Running Economy in High Level Caucasian Distance Runners. J Hum Kinet. 2017;56(1):229–39.

7.          Rahmani A, Locatelli E, Lacour JR. Differences in morphology and force/velocity relationship between Senegalese and Italian sprinters. Eur J Appl Physiol. 2004;91(4):399–405.

8.          Ueno H, Suga T, Takao K, Miyake Y, Terada M, Nagano A, et al. The potential relationship between leg bone length and running performance in well-trained endurance runners. J Hum Kinet. 2019;70(1):165–72.

9.          Cholewa JM, Atalag O, Zinchenko A, Johnson K, Henselmans M. Anthropometrical determinants of deadlift variant performance. J Sport Sci Med. 2019;18(3):448–53.

10.       Hunter SK. Sex Differences in Human Fatigability: Mechanisms and Insight to Physiological Responses. Acta Physiol. 2014;210(4):768–89.

11.       Cooke DM, Haischer MH, Carzoli JP, Bazyler CD, Johnson TK, Varieur R, et al. Body Mass and Femur Length Are Inversely Related to Repetitions Performed in the Back Squat in Well-Trained Lifters. J strength Cond Res. 2019;33(3):890–5.

12.       Clemente FM, Conte D, Sanches R, Moleiro CF, Gomes M, Lima R. Anthropometry and fitness profile, and their relationships with technical performance and perceived effort during small-sided basketball games. Res Sport Med [Internet]. 2019;27(4):452–66.

13.       Aouadi R, Jlid MC, Khalifa R, Hermassi S, Chelly MS, Van Den Tillaar R, et al. Association of anthropometric qualities with vertical jump performance in elite male volleyball players. J Sports Med Phys Fitness. 2012;52(1):11–7.

Gustavo Api

Gustavo Api

Licenciado e Bacharel em Educação Física pela Universidade Positivo. Especialista em Treinamento Desportivo pela Universidade Paulista. Especialista em Esporte de Alto Rendimento pelo Instituto Olímpico Brasileiro - Comitê Olímpico do Brasil. Atuando desde 2010 na área de Esporte e Fitness, atualmente como Preparador Físico no Santa Mônica Clube de Campo, atuou como treinador de Levantamento de Peso, aonde também participou como atleta amador de diversas competições a nível estadual. Seus temas preferidos são Treinamento de Força, Periodização e Monitoramento de Cargas no Esporte. Buscando sempre mais conhecimento, aprender nunca é demais.

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